DIA NACIONAL DE COMBATE À DISCRIMINAÇÃO RACIAL
“Ninguém nasce odiando outra pessoa por sua cor da pele, sua origem ou sua religião. As pessoas podem aprender a odiar e, se podem aprender a odiar, pode-se ensiná-las a aprender a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração humano que o contrário.” (Nelson Mandela, junho de 2005)
O Dia Nacional do Combate à Discriminação Racial é comemorado em 3 de julho no Brasil. A data foi escolhida com base no aniversário da primeira lei da Constituição contra o racismo no país. Em julho de 1951, o Congresso Nacional determinava que práticas de preconceito por cor ou raça são contravenções penais. 70 anos depois, estamos aqui, com uma realidade um pouco melhor, mas longe de ser a ideal.
De acordo com números do IBGE, dos 211 milhões de brasileiros, mais de 115 milhões eram negros. Para a pesquisa, o termo "negros" engloba pessoas que se autodeclaram pretos e pardos. Isso significa que a maior parte da população brasileira não é branca. Porém, os negros lideram com folga os índices de vítimas de violência, assedio moral, assassinatos e desigualdade salarial.
A fim de refletirmos sobre o Dia Nacional do Combate à Discriminação Racial, destacamos aqui quatro dados tristes que comprovam a importância e a necessidade da data. Lembrando que não basta não ser racista é preciso ser também antirracista!
- 1. Negros têm mais chances de serem assassinados
Das vítimas de assassinato em todo o país, entre 2008 e 2018, 75% eram negras. O Atlas da Violência, responsável por coletar esses números, aponta também que isso significa que se você for um homem negro, você corre 74% mais riscos de morrer assassinado. A mesma pesquisa ainda afirma que o número de assassinatos de pessoas negras subiu 11,5% nessa década, enquanto homicídios de não-negros caiu quase 13%. Isso está diretamente associado à violência policial e às principais famílias que sofrem com os confrontos. O Fórum Brasileira de Segurança Pública mostrou que 75,4% das vítimas de intervenção policial realizadas em 2017 e 2018 eram negras. E há morte para todos os lados: apesar dos negros serem apenas 34% dos policiais no país, eles representam 51,7% dos profissionais mortos em serviço.
- 2. Ainda há pouca representatividade
No que diz respeito a representatividade dos negros, o estudo "Desigualdade Racial" do IBGE apontou que pessoas pretas e pardas ocupavam apenas 29,9% dos cargos gerenciais no país. Por outro lado, os brancos eram quase 69%! Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 24,4% dos deputados federais eleitos em 2018 eram pretos ou pardos, mesmo os negros sendo a maioria no Brasil. E essa falta de representatividade é visível em todos os aspectos. Por exemplo, estudos apontam que mulheres negras estrelam apenas 21% das propagandas televisivas, enquanto as mulheres brancas ocupam 74% da liderança das peças.
- 3. Mulheres negras são as maiores vítimas de violência
O Atlas da Violência e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública também apontam para dados específicos sobre as mulheres negras. O primeiro estudo revela que as negras representaram 68% das vítimas de feminicidio entre 2008 e 2018. E, nesse mesmo período, o número de assassinatos dessas mulheres subiu 12,4%. O assassinato é, sem dúvida, a última etapa de um ciclo de violência, mas até lá, existem muitos atos nocivos, que desrespeitam a liberdade da pessoa - como a violência sexual. O Fórum aponta que, de todas as vítimas de estupro em 2017 e 2018 no Brasil, 51% eram mulheres negras.
- 4. A diferença de renda entre as raças é grande
A desigualdade de renda entre as raças é outro problema grave. O estudo do IBGE afirma que, de todas as pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil, 32,9% eram pretas ou pardas. Já os brancos, representam apenas metade desse índice. O levantamento da empresa Catho também sinaliza esse problema. A instituição notou a diferença entre os dois grupos e foi confirmar essa discrepância. Eles perceberam que os trabalhadores negros ganham em média 30% a menos do que brancos.
O racismo no Brasil é um fato e um problema de todos nós! Precisamos falar sobre "raça", preconceito e violência com mais frequência, ensinando desde cedo para crianças e adolescentes o respeito às diferenças. Racismo, além de ser simplesmente comportamento de pessoas ignorantes, é crime.
Fonte: https://www.purebreak.com.br/noticias/dia-nacional-do-combate-a-discriminacao-racial-4-fatos-que-provam-a-importancia-da-data/99138


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