sexta-feira, 25 de junho de 2021

 

Sobre a pandemia e a Educação ...

 

O que a educação tem com tudo isto? Quais os efeitos da quarentena na educação pública? Como estão nossos alunos? Como vãos os pais? O que a sociedade espera de nós? Como a sociedade tem visto a educação e os seus profissionais? Quem são os heróis? Quem vai consertar a sociedade depois de tudo? Como estão as escolas para quando for necessário o retorno? Como estamos nos preparando para o fenômeno “pós-pandemia”? Que currículo teremos? Que Projeto pedagógico estamos pensando? O que será de nós? O que farão de nós professores?

Desde que a Organização Mundial da Saúde – OMS declarou estarmos vivenciando uma pandemia, venho acompanhando diversos curtas com mensagens altruístas para o enfrentamento ao isolamento social e na maioria deles em algum ponto, a educação é citada para dizer que somos a esperança, mas em nenhum momento a nós é atribuído o título de heróis.

Em momento algum há um gesto de carinho para conosco. Ninguém diz que seremos nós, os professores que irão ter a grandiosa missão de reorganizar a sociedade, a partir da sensibilidade que nos é própria, de “sermos psicólogos”, cuidadores, amigos, assistencialista e formadores, das gentes que retornarão ao espaço privilegiado do saber, do ser e do fazer. Porque os estudantes, certamente não voltarão os mesmos, seus desejos serão outros que não os mesmos que tinham até o dia da cisão forçada. Eles virão mais sensíveis, mais brutos, mais conectados, mas descrentes da escola, pois nela não há investimentos que de fato atendam seus velhos/novos anseios, seus reais necessidade.

Este imensurável desafio, é imposto a nós sem nenhuma preocupação com o nosso estado, seja emocional ou de preparo profissional que nos capacite para o incerto que está por vir.

“Lives, “webnários”, “webconferências”, reuniões remotas. Neste novo tempo, estas iniciativas são, de fato, muito valiosas, mas “a corda que muito estica uma hora quebra”. Todos os dias ouço “não aguento mais tantas lives!”, É claro que diante do contexto, esta foi e ainda continua sendo uma saída encontrada para que nos mantivéssemos de alguma forma mantendo nossa identidade docente, nossos pertencimentos, mas necessitamos mais. Precisamos também nos “desligar” e viver o “luto”, o silêncio, a quarentena. Aprender a nos respeitar com responsabilidade.

Aulas remotas, entrega de kits pedagógicos, montagem de vídeos tutoriais, elaboração de atividades complementares, atendimentos no telegram, classroom, Puxa! Aulas show! Nossa, como é importante tudo! Preciso dizer sem nenhuma preocupação em parecer prepotente, “Nós somos o máximo! ” Ninguém faz o que fazemos. É muita criatividade dos professores para manter vivo a arte do aprender, do ensinar e do conhecer. Porém é importante pontuar que na faculdade não aprendemos gestão cultural, artes cênicas, produção gráfica ou construir roteiros artísticos ou teatrais. Nós estudamos educação! Sabemos mesmo é fazer plano de aula, projetos didáticos pedagógicos, discutir o currículo, encontrar caminhos para a aprendizagem. Portanto, é preciso enaltecer os professores que fazem estas coisas muitas vezes mirabolantes. Mas que fique claro, não há demérito para o que não consegue. Fiquemos em paz diante da certeza de que damos o melhor que temos e podemos.

Há que se dizer, o caos trouxe ainda muita produção intelectual e deflagrou também novos aprendizados. Professores têm construído alternativas lúdicas com muita criatividade, as aulas remotas desabrocharam flores em terras de solo batido; os órgãos competentes têm demonstrado preocupação com os protocolos de segurança; nunca se acompanhou tanto os dispositivos e regulamentações legais. É um marco!

Durante a quarentena, vale salientar, que nem tudo foi absolutamente perdido, nada foi mais importante do que a aprovação do Fundeb Permanente (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), apesar da tentativa governamental em desarticular. A união de todos os profissionais de educação permitiu que saíssemos vitoriosos. Isto nos deixa ou deveria deixar um pouco mais esperançosos. É fato!

Nesta pandemia, dentre tantas as lições, a maior estar no descortinar da realidade, especialmente a da educação. Este desvendar por vez é maquiado com os jeitos que nós, profissionais de educação, vamos dando ao longo da nossa docência. E não está sendo diferente agora. Antes dávamos jeitos na falta do lápis do aluno carente, no fardamento daquele menino que não pode comprar; dávamos jeitos nas fantasias e materiais para os eventos culturais.

Os jeitos agora têm a forma do contexto vivido. Continuamos buscando incrementar incansavelmente atividades que possam ser atrativas para nossos alunos nesse período confuso. Por causa das aulas remotas, muitos tivemos que aumentar nossa internet, comprar um aparelho novo de celular para dá conta às exigências que os aplicativos requerem; isto sem deixar de dizer que nos “viramos” para dominar os desafios tecnológicos devido à ausência dos investimentos em tecnologias digitais de informação e comunicação e da não capacitação aos envolvidos no processo de aprendizagem.

E assim, sem os feitos, vamos nos acomodando e dando nossos jeitos.

Fico pensando, diante dos feitos e jeitos, há espaço para os defeitos? Pois bem, sim e como tem! Um deste está na inconveniente exigência para que nós cumpramos com atividade remotas com uso particular de nossa internet, nosso computador, nossa sala, nossa intimidade.

Outro ponto a ressaltar está na enganosa percepção de que estamos democratizando o acesso ao conhecimento quando sabemos das profundas desigualdades educacionais que afetam um grande número de estudantes Brasil afora, sobretudo, os alunos que vivem nas periferias da cidade e no campo.

Há defeito também no acompanhamento à saúde emocional dos professores. Que acabaram ficando sem suporte psicológico nenhum diante das angústias, tristezas, inseguranças e medos que o momento impõe.

Mas tudo está acabado? Não! De desafio em desafio lá vamos nós!!!

Na verdade, ainda nos encontramos numa pandemia, o que temos de certo é a incerteza; isto terá efeitos ainda sem precedentes nas nossas vidas pessoais e profissionais. Está claro que precisaremos muito mais do que dominar os conteúdos curriculares; haverá a educação pós-pandemia, e esta já está em formatação; caberá a nós, saber o que faremos com ela. Podemos reaprender, estamos em constante aprendizado. Não estamos seguindo de desafio em desafio? Já não estamos nos refazendo enquanto docentes? Sim, senhores!!!

Para mim está claro que nunca a sociedade dependerá tanto da educação como agora! E é nesta hora que ocuparemos nosso lugar de heróis desta nação. Não há heroísmo fora da educação. Se há bons profissionais de saúde que executam com primor o seu trabalho é porque tiveram bons professores que os ensinaram para além da técnica. Provável e obviamente que conheceram professores que fizeram do conhecimento a prática da liberdade, da superação de desafios e da não opressão.

Na volta ao ensino presencial, as experiências desse período de reclusão e da profunda ruptura aos modos de ensinar, servirá ao um novo tempo e acredito que apesar de todas as nossas reais fragilidades a educação será fortalecida, sem dúvida “Devagar iremos longe”.

Se uma “Andorinha só não faz verão”, o efeito parceria, trabalho em equipe, será estratégia indispensável. Vamos sim precisar nos apoiar uns nos outros e nos compreendermos como classe. Que isto seja um compromisso entre nós.

Penso que é preciso repensar nossa trajetória histórica e DAR a educação a importância que ELA merece. Está mais do que provado que sem ela não haverá sociedade justa para todos e nem seremos capazes de reerguer o mundo depois de uma pandemia sem precedentes, que de alguma maneira afeta a todos.

Espero que o principal efeito desta quarentena na educação seja pela busca de uma humanidade mais responsável, solidária e que percebam o conhecimento como o único caminho capaz de nos colocar no eixo e evoluirmos como gente, pessoas, seres humanos.

Para finalizar estas minhas reflexões destaco a importância da instituição escolar para a efetiva transformação social. É no contexto de insegurança, desesperança, de vulnerabilidade social que a educação desponta como caminho para a mudança. Sem dúvida, não seremos nós que encontraremos a cura da Covid-19, mas teremos a belíssima função de refletir seus efeitos e auxiliar os estudantes para a vida em sociedade após longo período de excesso de (des) informação e isolamento social.

Em suma, a pandemia nos trouxe pessoalmente a possibilidade de realizar com mais tranquilidade uma autorreflexão, nos permitiu vislumbrar com maior clareza aquilo que realmente nos importa, aumentou o convívio familiar, reforçou amizades verdadeiras, que mesmo no isolamento não se dissiparam, a pandemia também nos colocou diante da fragilidade da vida, da imprevisibilidade dos processos que norteiam nossa evolução enquanto sociedade, Nos desvelou uma humanidade em construção e repleta de imperfeiçoes.

Profissionalmente, ressaltou em nós a importância que temos como agentes transformadores de indivíduos em formação, sabemos agora mais do que nunca que somos essenciais para nortear as futuras reflexões sobre os (des)caminhos da humanidade. Nos permitiu enfim exercitar a empatia com os nossos colegas, a gratidão com nossos especiais gestores e coordenadoras que se desdobraram para nos trazer segurança, tranquilidade e alento quando nem eles mesmos tinham. Nos possibilitou reconhecer de verdade que juntos somos sempre melhores. Então, não desanimemos, pois, o novo normal nos encontrará mais fortes, mais maduros, mais dispostos a prosseguir na missão que a escola encerra e que todos abraçamos.

Não é fácil, não está sendo fácil, a própria vida é desafiadora e perigosa. O que eu quero deixar aqui hoje é a ideia de que a diferença quem faz somos nós diante dos desafios que a vida trás. Se inspirarmos um, apenas, um aluno já não terá valido a pena? Como numa corrente do bem espero que não nos esqueçamos de que o todo é muito mais do que a soma de pequenas partes e que coisas boas acontecem mesmo quando não estamos vendo. Os próprios profetas diziam: Vejam!!! Quando eles mesmos não viram. Esperança meus amigos!!! Resiliência, bom trabalho a todos!!! E que tenhamos um ótimo retorno em momento oportuno.  

 

 


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